Gravura


 >  1. O que é? 

 > 2. Xilogravura  

> 3.Litografia  

>   4. Calcogravura     

>   5. Nomes relevantes 

>   6. Uma palavrinha mais  

>   7. Agradecimentos  

>   8. Sobre mim (breve currículo)

 

“... da matriz nasce forma e cor, concretizando sonhos inimagináveis... impressa, a estampa irradia luz,

promove questionamentos, decora, agita ou tranquiliza o espírito, refina o gosto estético e a cultura e, altiva,

reflete a essência do ser artístico no olhar daquele que a observa... e sente...”                                                                                                       

                                                                                                                                                                                                                 (Leila Silva)
 

    


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O que é?

 

Há muito tempo, as pessoas comuns chamam de “gravura” várias formas de expressão artística e àquelas usadas, comercialmente,  na publicidade, sejam as ilustrações dos jornais, de santinhos, revistas, livros, calendários, mesmo fotos, paisagens, etc. A palavra gravura tornou-se um termo genérico para definir todas, ou quase todas as imagens impressas.  Pois bem, se considerarmos na palavra gravura, incluso, o significado de “impressão através de uma matriz”, a tecnologia e a criatividade humana nos permitem ampliar tanto as possibilidades, que até mesmo as fotografias poderiam ser chamadas de gravuras, mas se considerarmos o termo técnico Gravura, como aprendemos na Escola de Belas Artes da UFRJ, imediatamente nos recordamos de três: a Xilogravura, a Litografia e a Gravura em Metal.   Então, ao falar de Gravura por aqui, vou me referir, especialmente, a estas três.  Isso não significa que eu ignore ou não goste de outras possibilidades como a serigrafia, gravura em acrílico, linóleo, etc.  Todas são apaixonantes! O que pretendo, por enquanto, é fazer somente uma introdução ao tema, principalmente para o aluno que estuda a possibilidade de ingressar em um curso de Gravura.  Então, vamos lá!

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Uma breve introdução sobre a particularidade de cada técnica:

 

 
 

 

Xilogravura

(madeira)
 

 

 
 

 

Você que está curioso, pode começar fazendo uma experiência, já que “trabalhar” a madeira, para que se torne matriz, é algo que você pode fazer em casa.

Pegue um pedaço de madeira, com veios bem delicados, lixe a sua superfície, cuidadosamente; desenhe sobre ela algo simples (dica: a imagem deve estar invertida, como em um espelho); com uma goiva, ferramenta que você pode encontrar em Casas de Desenho e Material Artístico, vá cavando as áreas que você deseja que fiquem brancas. Não se preocupe com as irregularidades que surgem, a madeira também se expressa, e é isso que é bacana na Xilogravura.  Pois bem, quando terminar, com um rolo apropriado, entinte sua matriz, de modo homogêneo; coloque sobre ela o papel, suavemente;  com uma pá ou colher de madeira comprima o papel sobre a matriz com pequenos e delicados movimentos circulares. Pois bem, você pode observar que a tinta é depositada nos relevos, e que nos sulcos não há nada de tinta. Logo concluímos que os relevos imprimem os traços e os sulcos, por não terem recebido tinta, geram as áreas brancas de sua composição.

 

Agora, terminada esta etapa da impressão, levante o papel da matriz, cuidadosamente, e coloque-o em um lugar seguro para secar.

 

O processo de impressão da Xilogravura também pode ser feito em prensas, mas acredito que, manualmente, deixa-se em evidência o toque, a marca do artista;   isso  é uma opinião pessoal, grandes gravuristas utilizam as prensas quando desejam, até mesma eu, pobre mortal, o faço quando assim decido.  Deste modo, são feitas as gravuras da Literatura de Cordel e tantas gravuras artísticas que encontramos em galerias, museus e importantes coleções do mundo todo.

Terminado este processo você terá uma Xilogravura, e a sua matriz te permitirá fazer quantas cópias você desejar!      

Viu o quanto é gratificante? 

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Prensa de xilogravura

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   Litografia

(Pedra)

Já a pedra litográfica nos oferece dificuldades e prazeres diferentes, mas afirmo isso com alegria:  por ser a Gravura uma das minhas paixões, as dificuldades adquirem um caráter de desafio!   Aqui, o princípio não é de relevos e sulcos como na Xilogravura, na Litografia trabalhamos com a repulsão que existe entre a água e substâncias gordurosas contidas em várias soluções e materiais de desenho, apropriados a esta técnica.

A pedra é limpa, rigorosamente, com carborundum, em tanque apropriado no atelier, com o fim de eliminar todo resíduo de gordura de uma composição anterior.  Chamamos a isso de Granitagem. Esta etapa é de enorme importância, pois ao iniciarmos o desenho sobre a pedra, precisamos estar seguros de que, ao final do processo, jamais surgirá um desenho fantasma sobre a nossa composição.

O material de desenho utilizado é o lápis litográfico com distintas durezas, tuches e crayons que geram efeitos incríveis!

Pronto o desenho sobre a pedra, ele passará por etapas que exigem experiência: o processo de “viragem”, por exemplo, é utilizado como reforço do que foi feito até agora; neste momento, podemos perceber manchas, falhas, nos dando a oportunidade de consertarmos os erros cometidos;  temos também a “acidulação”, que é outra etapa importante no reforço do desenho à pedra e, aliás, esta é uma etapa que exige muita paciência e método e, talvez por isso, uma das minhas favoritas; e ao final de tudo, temos a impressão, que é feita com o uso das imprescindíveis prensas litográficas.

 

Podemos utilizar a técnica da Litografia, com pouquíssimas variantes, em alumínio por exemplo, metal este que responde muito bem aos desejos e intenções do artista, e que ainda leva a vantagem de poder ser levada para qualquer lugar, o que não ocorre com as pedras litográficas geralmente muito pesadas, verdadeiras raridades e muito caras;  por outro lado, a pedra permite alguns recursos a mais, como o de “raspar” o desenho, além de que trabalhar sobre ela, tocá-la e usar a sua cor como ponto de partida para a construção de uma imagem é especialmente prazeroso; é fascinante.

Esta é uma forma extremamente básica de falar da Litografia; cada etapa oferece sua dificuldade e muitos recursos podem ser utilizados!

Vale à pena visitar um atelier para aprender esta técnica. Há detalhes que são aprendidos somente vivenciando o processo.  A teoria, para quem não gosta pode parecer fria (eu a acho estimulante, excitante), mas a prática... esta é uma daquelas experiências absorventes e maravilhosas inesquecíveis.  Experimente!

 

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Aqui vemos um dos Ateliers de Gravura da Escola de Belas Artes/UFRJ em pleno trabalho, o Mestre, grande pintor e gravurista Kazuo Iha e as amigas Priscila Martins,

Gabriela Lima e Carol Farah, todas, hoje, gravuristas de primeira linha e, no centro, estou eu diante de uma pedra litográfica.

 

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Calcogravura

(gravura em metal)

 A Calcogravura, ou Gravura em Metal, costuma ser feita com placas de cobre, alumínio, latão, etc.  Em geral, é a que mais assusta os novatos, pois parece oferecer obstáculos de realização intransponíveis.  Opinião que vai sendo modificada aos poucos, à medida que as etapas vão sendo concluídas.

 Nesta técnica não utilizamos os mesmos recursos utilizados na pedra litográfica, água e gorduras, nem cavamos com goivas o metal.  Nós gravamos o metal, por exemplo,  com buris, pontas secas, que são instrumentos delicadíssimos, outras vezes, mergulhamos a placa em bandejas com ácidos apropriados, criando “poros” e, variando o tempo, a temperatura ambiente e a concentração do ácido, conquistamos efeitos de cinzas fabulosos! É claro que não é tão simples assim; há muitos cuidados e detalhes que aprendemos na prática, dentro do atelier e pesquisando os grandes da Gravura, em todos os livros que pudermos ler; usamos breu, plásticos adesivos, solventes, ácidos, etc.; tudo isso com a finalidade de se obter uma estampa de qualidade. A Gravura em Metal, ao final, também é impressa com uma prensa apropriada.

 Não é preciso dizer que  a placa precisa ser trabalhada com extremo zelo, já que qualquer erro pode interferir no resultado final da impressão. Alisa-se e desengordura-se ao máximo, com lixas e substâncias várias, uma determinada placa.  Inicia-se o processo de gravação com buril, ponta seca, ou outras ferramentas próprias a esta técnica, mergulha-se a placa, em ácido, a fim de se obter determinados efeitos, verificando o resultado de cada passo com impressões de prova, até que o trabalho esteja terminado.

Algumas vezes nos deparamos com riscos, efeitos não planejados causados por um ínfimo grão e areia, ou porque o breu não foi utilizado adequadamente ou o ácido teve suas características modificadas.  Estas são tão somente dificuldades (se houver paixão, recorde-se, são apenas desafios), que ao serem vencidas com estudo, ousadia e determinação abrem um novo caminho mais rico, exuberante, e amadurecido em nossa linguagem artística.

Uma particularidade é que, enquanto na Xilogravura e na Litografia preparar a matriz para nova impressão é algo "simples", na Gravura em metal este processo é mais demorado e trabalhoso: inicia-se com uma limpeza total da placa metálica, entinta-se a placa,  limpa-se o excesso de tinta, etc. para uma única impressão.  Isso se deve ao fato de que, aqui, a tinta fica depositada nos sulcos e não nos relevos como acontece na Xilogravura.  

O processo de gravar em metal é muitíssimo interessante!  Ele nos permite que utilizemos a nossa linguagem, seja abstrata, expressionista, ou outra.   Procure na Internet obras de Gravura em Metal.  Depois me escreva dizendo o que você achou.

 

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Gravura A Bela Arte, de Diego Guadelupe, Ed. Rio Books.

Este livro, uma brilhante iniciativa do autor, traz fotos de gravuras

de vários alunos da EBA-UFRJ, hoje gravadores profissionais.

 

 
     

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Nomes relevantes

Alguns nomes dos quais me recordo no momento:
 

Francisco de Goya, Picasso, Toulouse-Lautrec, Miró, Rembrandt, Albert Durer, Kitagawa Utamaro, Morandi, Beardsley, Much, Jordi Catafal, Yozo Homaguchi, Oswald Goeldi, Piranesi, Kandinsky, Antoni Tápies, Carlos Cliar,  Rubem Grillo, Marcos Varela, Aldemir Martins, Kazuo Iha, Fayga Ostrower, Renina Katz e tantos outros!

 

Há muitos outros no Brasil e no mundo! Pesquise na Internet e você ficará surpreso!
 

 

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Uma palavrinha a mais:

Existe uma relação muito profunda entre o gravurista e o material que ele escolhe. Há uma relação de cumplicidade entre eles que ninguém pode imaginar existir. Sobre o material, por horas, dias, meses, um gravurista pode trabalhar, incansavelmente, por puro amor ao que faz. O material, em troca, lhe dá tudo que lhe é permitido em suas limitações e, com frequência, contribui, generosamente, na superação da ideia inicial do artista.
 

A estampa pronta é sempre uma surpresa maravilhosa; emoção difícil de descrever!
 

Você que está iniciando este caminho, pense com amor, aceite os desafios, curta cada momento deste processo criativo e se supere a cada novo dia, em qualidade e dedicação. 

 Aventure-se neste mundo! Apaixone-se!


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Agradecimentos:


Aproveito o momento para demonstrar a minha imensa gratidão, pelos felizes anos que vivi na Escola de Belas Artes da UFRJ, aos queridos mestres e grandes gravuristas que muito me ensinaram, Marcos Varela e Kazuo Iha, com profunda admiração por suas obras que, para mim, sempre foram inspiradoras! Agradeço também aos professores e gravuristas Pedro Sanchez, Gian Shimada e Rafael Kuwer, pelo grande conhecimento e orientação técnica; aos professores  Pedro LobiancoMaria Luisa L.Távora  por tudo que aprendi e pela imensa Luz que irradiaram em meu coração e aos demais professores da EBA;  às queridas amigas e artistas plásticas Carmen Barrosa, Livia Magno, Cristina Oliveira, Márcia Drummond  e a todos aqueles com quem comparti experiências maravilhosas e enriquecedoras nos ateliers de Gravura, Pintura e Escultura.

A todas estas pessoas, o meu grande carinho!
 

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Leila Silva

Rio de Janeiro/Brasil

reflexogravado@yahoo.com.br

 

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Sobre mim:

Seguem alguns dos cursos que fiz

 no que se refere à criação artística

 

Gravura na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do RJ – UFRJ /Brasil, com os grandes mestres e gravuristas

Marcos Varela e Kazuo Iha,

 Tendo cursado 2 anos na Facultad de Bellas Arts De la Universitat de Barcelona/Espanha,

 com os professores e artistas plásticos Teresa Llàcer, Augusto Roig e o fotógrafo Manolo Laguillo;

Desenho de Propaganda, SENAC, RJ/Brasil, com o querido mestre Guidacci;

Curs Pràctic de Dibuix Científic de Laboratori, Museu de Zoologia, Catalunya/Espanha;
 

Letras (Português-Hebraico), Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, RJ/Brasil;
 

Participei de alguns livros e revistas com gravuras, poesias e artigos, exposições coletivas na Espanha e no Brasil

onde obtive alguns prêmios.

Obs.: alguns outros cursos feitos por mim poderão ser encontrados na parte destinada à Reflexoterapia Podal, deste site.

 

 

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